Saiba como identificar e se prevenir contra falsos moradores

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Por Fernando Koda

Tocaram a campainha de seu apartamento sem nenhum aviso da portaria? E agora?

Um crime que tem ganhado destaque em alguns noticiários em todo Brasil é praticado por pessoas ligadas ao crime e que alugam apartamentos por temporada utilizando documentos falsos.

Os condomínios de alto padrão em bairros nobres são os maiores alvos desse tipo de ação, que já fez várias vítimas em regiões como Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de janeiro, São Bernardo do Campo, em São Paulo, Cocó, em Fortaleza, e na zona norte da capital paulista.

Uma vez dentro da rotina do condomínio, se passando por moradores comuns não despertando a atenção e não provocando nenhuma desconfiança, os meliantes estudam o ambiente e as possíveis vítimas e planejam o ataque e a fuga. Em alguns casos utilizam técnicas com ferramentas, como chaves michas e martelos, entre outras, para efetuar a abertura sem dano ou arrombamento das portas e praticam furtos nos apartamentos alvos que não tenham ninguém no interior, no momento da ação.

Porém, nos casos em que as vítimas estejam presentes, tocam a campainha e ao serem atendidos, as rendem e praticam o roubo, muitas vezes impondo agressividade.

Cada um desses cenários possui características próprias e para que os riscos sejam tratados é muito importante conhecer suas vulnerabilidades como já comentamos em artigos anteriores, porém, alguns pontos críticos podem ser  comuns entre as vítimas, como por exemplo, falta de recursos técnicos ou de procedimentos de cadastros com atualização periódica e obrigatória conforme regulamento interno que permita a identificação dos moradores por imagem (foto digital) e registro das digitais para controlar seu acesso e identificação dos veículos de forma segura.

Em alguns casos, ficou clara a preocupação dos meliantes nos acessos ao condomínio e optavam em fazê-lo somente pela garagem e sem a utilização dos elevadores em virtude dos mesmos possuírem câmeras de segurança muito próximas as faces dos usuários. Em virtude disso, os apartamentos alugados para hospedar os falsos moradores eram sempre em andares razoavelmente baixos, ou seja, terceiro ou quarto andar, porém, os apartamentos das vítimas poderiam ser de qualquer andar inclusive sendo informado em matérias a respeito desses casos, situações em que fizeram de vítimas os moradores de apartamentos em coberturas.

Foram divulgadas algumas prisões em que os policiais conseguiram chegar até os meliantes através das impressões digitais encontradas no apartamento alugado, bem como, nas unidades vitimadas. Como podemos perceber todo crime possui suas fragilidades que se bem observadas conduzem os policiais ao êxito da identificação dos autores e conseqüentemente na sua captura, porém, sempre há o prejuízo, seja ele financeiro e/ou psicológico principalmente no caso das vítimas presentes que tenham sofrido com a agressividade dos meliantes.

Em um dos casos, uma das vítimas foi o prefeito da cidade e sua família, porem, através de um vídeo nas redes sociais o prefeito informou que tanto ele quanto sua família e vizinhos estavam bem e que o prejuízo havia sido restrito à parte financeira e, em meio a um quadro como esse, essa é sem dúvida uma boa notícia.

Quando uma nova pessoa passa a integrar um condomínio é importante que ela tome conhecimento e atenda as exigências estabelecidas na convenção coletiva e o regulamento interno, de forma clara, embasados nas legislações em vigor no código civil brasileiro que visem estabelecer regras de convívio em harmonia e a segurança de todos os condôminos, moradores e usuários.

COMO PREVENIR:

– Estabelecer no regulamento interno aprovado pela assembléia um período mínino de 30 dias para locações e a quantidade máxima de pessoas por unidade locada. Este tem sido um recurso bastante utilizado em condomínios.

– No regulamento interno deverá haver regras claras e sanções necessárias que estabeleçam ao condômino que utiliza o recurso de locação temporária o compromisso em conscientizar o locatário quanto à necessidade e a importância de cumprir com as regras nele estabelecidas, principalmente no cadastramento em que serão fornecidos dados de todos os moradores do condomínio como, por exemplo, impressões digitais e fotos digitais, bem como nome completo e dados dos veículos, entre outros.

– A equipe de segurança ou portaria deve ter um perfil adequado para atuar nesse cenário e receber treinamentos específicos para que a qualidade da segurança e do atendimento seja preservada.

– A instalação de equipamentos eletrônicos que utilizem os dados cadastrados para identificação dos moradores e demais, previamente autorizados a adentrar no condomínio, como por exemplo, biometria digital, tags veiculares, câmeras, antenas e leitoras são necessários e contribuem muito para a o gerenciamento do risco.

– Um recurso simples chamado olho mágico ou os mais sofisticados como porteiros eletrônicos, permitem que se identifique a pessoa que esta a porta, porém, na falta desses recursos, o morador deve entrar em contato com a portaria e informar que alguém esta tocando sua campainha e que não esta aguardando ninguém e que precisa que ele seja identificado, jamais abra a porta antes de saber quem é e o que quer.

– Quando um locatário, ou outras pessoas mal intencionadas encontram esses recursos técnicos e operacionais implantados, a tendência é optar por outros que não os tenham, para praticarem seus delitos.

Fernando Koda assina a coluna Segurança com Fernando Koda, no Inova360, parceiro do R7. É especialista em segurança patrimonial e está à frente da Implanta Solução em Segurança.

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