Mindset: o perigo que ninguém conta

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Jacques Grimberg

Sabemos que os leitores querem e buscam textos positivos, que contam histórias de sucesso e alegres. Eu também gosto, mas para buscarmos o crescimento pessoal e profissional é preciso entender e compreender os desafios, os perigos e os erros. Tudo aquilo que ninguém conta por vários motivos e um deles é rir da desgraça dos outros. Eu quero o seu sucesso e irei contar neste artigo o perigo de buscar mudanças, que tem a ver com mindset.

Mindset é o como nós compreendemos e avaliamos ou julgamos o que acontece em nossa vida. É a soma de ideias, valores e crenças de uma pessoa que gera decisões e atitudes. Existem dois tipos de mentalidades distintas: a fixa e a progressiva. A fixa é quem acredita que não pode mudar, que dons e determinadas capacidades não se aprendem. Quem tem mentalidade fixa, possui uma tendência em ter pensamentos negativos, tanto no âmbito pessoal como profissional. Já as pessoas com mentalidade progressiva acreditam que seus dons e determinadas capacidades podem ser desenvolvidos. Geralmente quem tem mentalidade progressiva transforma desafios (dificuldades ou problemas) em oportunidades.

Quando falamos de mindset, falamos da mudança faz uma pessoa sair da zona de conforto, a faz descobrir novos caminhos, sejam positivos ou negativos. Independente do resultado, durante o processo de mudança tornarmo-nos mais fortes e confiantes e com isso o medo de errar vai embora. Quando o medo vai embora, deixamos de observar os detalhes e buscamos o nosso sonho e é neste momento que os problemas podem surgir. Ninguém é perfeito e todos comentem erros. Minha mãe, meu pai, eu e você cometemos erros. Ninguém escapa, cada um no seu estilo e com os seus erros. Recentemente conversei com um amigo empreendedor e quero tentar descrever o nosso diálogo:

Eu: Fernando eu entendo as suas dificuldades, empreender no Brasil é um grande desafio. Desde que você começou a empreender, quais foram as principais mudanças na sua vida?

Fernando: É verdade, empreender no Brasil não é fácil e eu tive que mudar bastante. Quando eu era funcionário só reclamava e achava que os empresários exploravam os seus colaboradores. Fazia parte do grupo de funcionários que almoçavam juntos para reclamar da empresa e ainda, quando chegava em casa ficava reclamando para a minha esposa e filha. Foi assim na casa dos meus pais… (pausa e respiração ofegante)

Eu: Eu entendo Fernando. Me explique com calma como foi na casa dos seus pais.

Fernando: Meu pai chegava em casa e ficava reclamando do trabalho e minha mãe ficava chateada, nada ela podia fazer. Era dona de casa, cuidava dos quatro filhos e quando tinha tempo fazia faxina para ter uma renda extra e ajudar a minha avó que estava doente. Cresci ouvinte que ser funcionário é ruim e bom é ser chefe e dono de empresa.

Eu: Parabéns! Você conseguiu e hoje é um empresário de sucesso.

Fernando: Posso falar a verdade, essa mudança não foi positiva. Descobri errando que ser empresário não é fácil, fácil é ser funcionário. Tem ou não tem dinheiro no final do mês recebe o seu salário. As dificuldades e os desafios são diferentes, mas os problemas e os riscos bem menores. Se eu pudesse voltar ao passado, teria ficado na zona de conforto e continuaria sendo funcionário e não reclamaria mais. Que saudades daquela época!

Eu: Mas empreender também tem suas vantagens, como diz um outro amigo meu, empreender é como o céu, não tem limites.

Fernando: Mas quem disse que eu quero o céu?

O que eu aprendi com esta conversa é que cada um tem uma opinião e não existe certo ou errado. É uma discussão que se continuada não teria fim e ninguém sairia vencedor. O certo é aquilo que cada um quer, desde que não prejudique terceiros. Você quer, acredite no seu potencial e aja com planejamento, foco e convicção, assumindo os erros e feliz por tentar.

Cada um busca o seu sucesso, mas o que é sucesso? Para o João sucesso é ganhar na loteria, para a Manoela é ser promovida no trabalho, para o Pedro viajar para o Caribe, para o Juliana encontrar o amor da sua vida e para a minha avó era ter os netos ao seu lado sentados no sofá e não precisávamos falar nada. Bastava ficar sentado assistindo a programação de domingo de tarde na televisão.

Cada um tem uma resposta diferente, mas o sucesso é igual para todos. É a autorrealização. Por causa do sucesso as pessoas fazem loucuras, assumem riscos, brigam, se afastam de pessoas e quando conquistam o seu objetivo percebem que não era aquilo que iria te fazer feliz. É o caso do meu amigo Fernando. O sucesso para ele era ser empresário (chefe).

Você tem certeza do que é sucesso para você? Pare, reflita e repense! O que é sucesso para você?

Sem percebermos, as nossas atitudes dizem muito sobre nós e sobre o nosso comportamento. O modo como cada um decide agir e fazer as suas escolhas após uma autoanalise, pode determinar o sucesso ou o fracasso. Os novos caminhos podem ser positivos ou negativos e esqueci de comentar de um terceiro caminho: o neutro. Sim, as consequências podem ser positivas, negativas ou neutras.

Segundo a escritora Carol S. Dweck, o modo como enxergamos, seja otimista ou pessimista, e como nos comportamos com as diversas situações da vida é o nosso mindset. A cada mudança de como enxergamos e nos comportamos, mudamos a nossa mentalidade criando uma ressignificação de experiências vividas ou aprendidas de qualquer outra forma. O mindset pode ser fixo ou de crescimento.

Mindset fixo

As pessoas que aceitam as condições impostas pela vida ou por terceiros, sem reclamar e sem buscar novas alternativas tem mindset fixo. Pode parecer estranho, mas fazem parte deste grupo a maior parte da população. Esse grupo de pessoas acreditam que não podem desenvolver novos conhecimentos e habilidades. Aprender um novo idioma ou fazer uma pós-graduação para quê? Mudar de emprego, ter que fazer novas amizades e ir para um ambiente diferente, fico onde estou. Com o que eu ganho pago as contas, não sobra nada, mas a vida é assim mesmo.

Lembrei agora de uma outra conversa que eu tive com o meu amigo Fernando:

Fernando: Então Jaques, já não sei mais o que fazer. A situação do país está cada dia mais complicada e as vendas estão caindo. A minha empresa está passando por dificuldades e não podemos fazer nada, é geral. Preciso me conformar!

Eu: Percebo que você está preocupado com a situação atual da sua empresa e que a crise parece ser geral, mas também conhecemos empresas que estão crescendo e lucrando cada vez mais, inclusive na crise.

Fernando: Essas empresas estão com sorte, a crise ainda não chegou, mas vai chegar. Eles que aproveitem o momento.

O Fernando no diálogo acima não quer perceber que mesmo na crise é possível agir e buscar novos caminhos. Como consultor com foco em vendas e pós-vendas, já ajudei muitas empresas, profissionais autônomos e representante que também acham que estavam na crise. Mas quando perceberam que precisavam sair da zona de conforto mudaram com foco, planejamento e ajuda de um mentor profissional. Conseguiram, cada um no seu tempo e da sua forma, mas todos conseguiram sair da crise e potencializar os resultados.

Já o meu amigo, o Fernando, mudou ao desistir de ser funcionário e tornar-se empreendedor. Ao perceber e encontrar as dificuldades, voltou a ter mentalidade de funcionário, mas como empresário. São atitudes e formas de agir diferentes, o mindset estava no passado. Os problemas aumentam quando os nossos pensamentos e formas de agir estão inconsistentes com a nossa realidade. É preciso mudar sim, mas com coerência a nossa realidade atual e com foco no futuro.

Mindset progressivo

Este é um outro grupo, com muitas pessoas que buscam crescimento e mudanças. O mindset progressivo também é conhecido como mindset de crescimento, de pessoas que sabem da importância do desenvolvimento pessoal, do conhecimento, de buscar novos talentos e do otimismo. Pense naquele amigo que está sempre feliz e topa tudo, quando acaba o carvão no churrasco ele é o primeiro a se oferecer para ir comprar mais. Sem reclamar, o objetivo dele é resolver os problemas. E aquele outro amigo que está desempregado ou ganhando um salário baixo e quando você pergunta como ele está ele responde que está ótimo e que está em busca de novidades.

Semana passada fui jantar com um ex-funcionário, o Carlinhos, e ele me contou algo muito legal que me deixou feliz. Nada melhor do que ter ex-funcionários que se tornaram seus amigos e com sucesso. Sucesso, para quem e de quem? Mas vamos a nossa conversa:

Eu: Quanto tempo Carlinhos, como você está?

Carlinhos: Estou muito bem, consegui o emprego dos meus sonhos. Lembra-se quando era seu funcionário e você incentivava os funcionários para estudarem e eu aproveitei para fazer diversos cursos.

Eu: Lembro sim, naquela época a empresa pagava até 30% dos cursos dos funcionários.

Carlinhos: Verdade! Mesmo você pagando uma parte dos cursos poucos funcionários aproveitaram. Alguns até reclamavam que você deveria pagar 100%. Eram desculpas de quem não queria buscar crescimento.

Eu: Mas me conte, qual é o emprego dos seus sonhos?

Carlinhos: Você não vai acreditar, hoje sou confeiteiro e apesar de ter um salário que para muitos é baixo, estou tão feliz que consigo até poupar no final do mês. O importante não é quanto ganhamos, mas quanto gastamos e fazendo o que eu gosto aprendi a gastar menos. A felicidade não está nos bens materiais e sim em fazer o que gostamos.

O que eu aprendi com o Carlinhos que para conquistar o nosso sucesso é preciso mudar. A hora certa de mudar é antes que seja preciso mudar! Pense nisso! Para as pessoas do grupo do mindset progressivo a persistência é uma aptidão relevante e o pensamento positivo não pode faltar.

As oportunidades não aparecem duas vezes e por este motivo é preciso estar preparado e motivado para agarrá-las. Muitas vezes as oportunidades podem vir disfarçadas de “pedras no seu caminho”, mas se você desistir tenho a certeza que não terá sucesso. A escolha é sua, pode ser positiva, negativa ou neutra, qual a sua escolha? Eu acredito em você, acredite em você, você também!

 

Jaques Grinberg é consultor de empresas e palestrante especialista em Coaching de Vendas. Autor do best-seller “84 Perguntas que Vendem”, publicado pela editora Literare Books, e autor e coautor de mais de 15 livros de vendas, liderança, carreira e empreendedorismo.