Educação Financeira será disciplina obrigatória nas escolas em 2020

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Por Arethuza Zero

Ensinar as crianças a lidarem com o dinheiro, mesmo que seja explicando noções básicas, é o primeiro passo para que elas sejam capazes de gerir as próprias finanças de maneira mais consciente no futuro. Um início precoce desse aprendizado ajudará esses jovens a ganhar, poupar e gastar com sabedoria, visando à independência financeira.

A Educação Financeira tem potencial para preparar os jovens para uma vida financeira sustentável, com bem-estar social e econômico. Em tempos de consumismo desenfreado, é preciso desenvolver o senso crítico nas crianças e nos adolescentes em relação ao consumo.

A discussão de temas ligados ao desequilíbrio financeiro, à falta de planejamento, ao desemprego e seus efeitos na vida do indivíduo e de sua família é fundamental.  A Educação Financeira prepara as crianças e os jovens para o futuro, favorecendo sua formação cidadã.

Ao estudar o tema, os jovens tornam-se capazes de estabelecer julgamentos, tomar decisões conscientes e críticas, atuar de forma responsável em relação aos problemas cotidianos da vida em sociedade.

A partir de 2020 a Educação Financeira será um dos temas transversais do Ensino Fundamental e o assunto, que antes era associado apenas à Matemática, poderá ser abordado em diferentes componentes ou em projetos que visam trabalhar habilidades socioemocionais e reforçar a conexão entre o ensino e a realidade das crianças.

Todas as escolas de Ensino Fundamental do país devem se adaptar às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Um dos principais objetivos é levar aos alunos conhecimentos relacionados ao uso do dinheiro, para adquirirem competências que os levarão a tomar decisões conscientes no futuro, contribuindo para o bem-estar.

De acordo com a BNCC os alunos deverão ser envolvidos em contextos relacionados à Educação Financeira em todas as escolas, pública e privadas.

É importante salientar que os pais e a escola são fundamentais na formação de cidadãos conscientes de seu papel no desenvolvimento econômico e social do país.

Ao entrarem em contato com os temas dinheiro, trabalho e consumo, os próprios professores poderão se aprofundar no assunto, transformando seus hábitos e modificando as suas vidas. Enquanto as crianças transmitirão os conhecimentos adquiridos e as informações aprendidas para os pais e responsáveis.

Apesar da obrigatoriedade que passa a valer a partir do fim do ano, a orientação não é nova, uma vez que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) já refletiam sobre a colaboração que a área tem a oferecer com foco na formação da cidadania. Dessa forma, o objetivo é incentivar que os alunos tenham capacidade de se posicionar de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais.

As mudanças estipuladas pela BNCC já estão aprovadas e entrando em vigor para os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental, dessa forma, tanto as escolas públicas quanto as privadas terão até o fim do ano para implementar as alterações exigidas.

A disciplina deverá ser abordada principalmente em Matemática e Ciências da Natureza, podendo aparecer em outras matérias como História, por exemplo, mostrando o surgimento do dinheiro e sua função na sociedade, o consumo em diferentes momentos históricos, entre outros.

É extremamente importante ensinar os alunos a lidar com o dinheiro, pois eles podem ser agentes multiplicadores dessas discussões junto às suas famílias, pois hoje está evidente que, muitos adultos sofrem com o endividamento e vive uma vida financeira repleta de oscilações.

Essa realidade é consequência de uma geração que se desenvolveu em um ambiente que tratava o tema dinheiro como um tabu, ou que acreditava que dinheiro era assunto restrito aos adultos, especialistas e economistas.

As novas gerações não precisam se preocupar, pois a educação financeira agora será uma realidade em suas vidas. Elas não crescerão sem uma educação financeira, sem entender as relações que envolvem o dinheiro, o consumo e o trabalho.

A sociedade está cada vez mais consciente da importância de promover a educação financeira nas escolas. As crianças são consumidoras e precisam aprender a usar o dinheiro com inteligência. É sabido que as crianças com sólida educação financeira possuem mais facilidade de pensar no futuro e planejar suas economias.

Como educadora financeira, idealizei e sou autora de uma coleção de livros para o Ensino Fundamental que traz diversas orientações para a resolução de problemas dentro do contexto da Educação Financeira. A coleção favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, psicológicas, políticas e econômicas sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro.

Vivemos em uma sociedade Capitalista e é inegável que o dinheiro exerce um papel importante em nossas vidas. Por isso, é fundamental que a Educação Financeira seja incluída a partir da Educação Infantil.

Então, a partir de agora, esqueça “essa história de que dinheiro não é assunto de criança”!

 

Arethuza Zero é Doutora em Desenvolvimento Econômico, Mestre em História, Cientista Social, Pedagoga e autora de livros sobre Educação Financeira. Como Educadora Financeira ministra cursos, workshops e palestras sobre o tema para educadores, pais, crianças e adolescentes.

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