E aí, vai surfar a onda da Inovação ou morrer na praia?

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Precisamos falar sobre inovação de forma simples, fácil e aplicável para, juntos, quebrarmos clichês e partirmos para a ação

Por Juliana Bernardo

De acordo com o livro Gestão do Amanhã, dos co-fundadores da HSM e do MeuSucesso, até 2020, três quartos das maiores empresas mundiais serão companhias que ainda não existem ou são pouco conhecidas. O livro foi lançado em março do ano passado. Isso quer dizer que a maioria das grandes empresas, pode ser, em breve, negócios diferentes do que conhecemos hoje. Fazendo um paralelo à nossa última colocação no Ranking da Inovação Mundial, apresentado no estudo “Bloomberg Innovation Index”, que mostra o Brasil na 45° posição de um ranking de 60 países pontuados, dá para entender o tamanho do buraco negro do tema no Brasil.

A partir dessa constatação, e da minha mente naturalmente curiosa sobre o futuro, resolvi atuar nesse propósito da desmistificação da Inovação em três frentes: para as empresas, para os pequenos empreendedores e para o mundo, a fim de preenchermos essa lacuna, falando sobre inovação de forma simples, fácil e aplicável para, juntos, quebrarmos os clichês e partirmos para a ação.

Minha melhor descoberta nesse processo é que podemos e vamos fazer isso juntos, afinal a inovação por si só não é nenhum bicho de sete cabeças e se resumirmos a maioria dos conceitos, livros e afins, vamos chegar à conclusão que inovação nada mais é que FAZER ALGO NOVO QUE GERE VALOR PARA O MUNDO. Simples assim.

Não precisamos necessariamente estudar em Harvard para falar desse assunto. Estamos cercados de inovações, e mudanças rápidas que chegam até nós a todo minuto, notícias da morte de empresas gigantescas que, por anos, foram guiadas apenas pela visão de lucro e viraram comida de tubarões.

Nosso mundo mudou, a praia é outra, querendo ou não aceitar, acreditar e enxergar, nós estamos passando por uma poderosíssima transição da velha economia (foco no lucro, na indústria e na massa) para a nova economia (baseada nos serviços, usuário e o cliente no centro de tudo, tendo a tecnologia espalhando o negócio no mundo). E o que já foi super sinônimo de luxo, hoje é extrema necessidade empresarial.

Essa nova economia não requer posse, estamos mudando nossa forma de viver, de nos transportar. Do UBER que já foi uma baita mudança, passamos a andar de patinetes e bicicletas compartilhadas. Mudamos também a forma de nos hospedar, de hotéis caros para casas livres para locação temporária ao redor do mundo, como Airbnb. A mudança também está na forma de nos vestir, já existem várias lojas virtuais de alugueis de roupa para tudo que é tipo de ocasião e também um aplicativo que você aluga furadeira, lanterna, barraca de camping e roupa para esquiar, apenas para o período que vai usar.

Sim, a era da posse está morrendo e trazendo com força a era da colaboração, do compartilhamento e da interdependência.

Vendo tudo isso acontecer, precisamos nos dar conta, despertar a nós e nossas empresas, que o mundo lá fora precisa refletir o mundo “aqui dentro”.

Para isso, você pode começar sendo o provocador de si mesmo, pois não existe forma de navegarmos no desconhecido se não nos capacitamos. Antes de querer que seu negócio ou empresa em que trabalha captem essa mensagem e façam acontecer por si só, inicie a jornada olhando para dentro. Entenda mais a “coisa”, torne-se referência no assunto, sim, manje tudo do paranauê. Comece a respirar a inovação e a nova economia e deixe que ela guie tudo que pensa e faz; essas 4 dicas vão ajudar você a começar a tirar isso tudo do papel!

 

1. Leia sobre inovação!

Compartilho com vocês algumas das minhas referências gratuitas e básicas em nível nacional e de fácil acesso. São elas: o portal O FUTURO DAS COISAS que traz sempre conteúdo exclusivo em inovação, tecnologia e educação numa linguagem divertida e acessível; o FUTURO EXPONENCIAL, site que se dedica a cobrir os mais recentes avanços tecnológicos e seus potenciais impactos para o futuro da humanidade e ainda o CANALTECH, um guia de tendências e de notícias sobre tecnologia.

 

2. Faça cursos gratuitos e nunca mais pare de estudar!

Abaixo indico alguns cursos que foram referência para mim no Brasil, gratuitos a acessíveis; tem de tudo que você precisa aí:

  • Coursera (cursos feras, online e gratuitos com temas para lá de necessários)
  • Veduca (cursos focados em Desenvolvimento Humano com base nas habilidades do século 21, todos por um preço justo que cabe no seu bolso)
  • Aprende aí (escola digital de inovação com alguns cursos gratuitos, sendo os pagos bem acessíveis)

 

3. Vá à rua!

São várias as possibilidade de eventos nesse tema, muitos deles gratuitos, acesse os sites ou aplicativos gratuitos. Abaixo estão as plataformas que centralizam a maioria desses eventos no Brasil:

  • Sympla e Eventbrite (coloque no campo de busca um tema, sua cidade e encontre palestras, cursos e eventos gratuitos e pagos na sua região)

 

4. Por fim, seja o maior questionador de todos os tempos!

Comece se questionando se cada ação sua está de acordo com os conceitos que aprendemos sobre a nova economia. As perguntas são:

  • Estou criando algo que pode solucionar uma dor real?
  • Eu ou a empresa que trabalho, estamos pensando em como resolver uma dor real? Que você vive ao seu redor, no dia a dia, na empresa e/ou do mundo?
  • Estou provocando a empresa e as pessoas a pensarem de acordo com a nova economia e com o futuro?
  • Tenho como compartilhar meu conhecimento com mais pessoas?

 

E é por isso que acredito que a inovação precisa falar a nossa língua. Precisamos nos libertar dos clichês e parar de imaginar inovação como intangível ou apenas replicar referências internacionais o tempo todo.

Somos brasileiros, temos uma “ginga” só nossa, temos curiosidade e criatividade. Com as ferramentas certas, chegaremos muito mais longe, porque não adianta achar que só quem vai para o Vale do Silício, faz faculdade em Harvard, trabalha em locais de paredes coloridas e usam meias de desenho animado têm condição de ser inovador. A inovação está aí acessível para todos nós, e como diria Leonardo Da Vinci: “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

E agora que já está tudo preto no branco e já estamos conscientes, “bora” para ação?

 

Obrigada, Juliana Bernardo.

Juliana Bernardo assina a coluna “Inovação no Mundo Real”, no Inova360, parceiro do portal R7. Formada em Administração de Empresas, com especialização em Comunicação, Marketing e TI pela USP, Juliana é Líder em Gestão de Inovação no BWG Group Brasil. Curiosa e “hyper” plugada nas tendências, ela está sempre aberta a novidades, bate papo, aprendizados e um bom café.

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