Como equilibrar autonomia com o alinhamento do time

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Por Millor Machado

Recentemente comentei no meu quadro do Inova360 o quanto é importante que um líder consiga conciliar a autonomia com o alinhamento do time.

Se por um lado, você dá autonomia demais, existe um risco alto de cada pessoa começar a trabalhar em algo que ache interessante, mas que não tem nenhuma relação com as prioridades estratégicas da empresa.

Em um outro cenário, se você mastiga o planejamento de uma maneira que as pessoas possam executar cegamente, sem precisar pensar, é isso que elas farão: parar de pensar.

Convenhamos que nenhum desses cenários é positivo.

Mais uma vez, assim como praticamente qualquer assunto ligado a liderança, é necessário um equilíbrio entre os dois extremos.

Apesar de não existir uma fórmula mágica para resolver esse problema, o grande pulo do gato consiste em uma palavra fácil de entender, mas muito difícil de se colocar em prática: priorização.

Para uma boa priorização, a primeira coisa é passar para o time, com muita clareza, a diferença entre itens estratégicos, táticos e operacionais.

A estratégia está muito mais “escrita em pedra” e deve mudar pouco, independente do contexto que a empresa está passando. Nesses itens, o alinhamento deve falar muito mais alto do que a autonomia.

Por exemplo, a sua empresa possui um posicionamento mais Premium e quer se destacar através de um produto diferenciado ou a empresa está focada em aumentar ao máximo sua eficiência operacional para poder entregar um produto de baixo custo para o mercado?

Nesse tipo de decisão, alinhamento é essencial.

Por mais que as pessoas possam ter visões diferentes sobre como implementar essas ideias, a estratégia em si precisa ser única para toda a empresa.

Outro exemplo de estratégia é o modelo de crescimento. Em um cenário possível, uma empresa pode focar em reinvestir todo o seu resultado e crescer de forma muito acelerada. Ou então, uma empresa pode aceitar um crescimento mais lento, mas que permita que os acionistas façam retiradas de lucro.

Não existe certo ou errado, é uma questão de decisão das principais da empresa.

De forma geral, uma escolha estratégica faz com que você abra mão de outra (ex.: produto premium com preço elevado, sacrificando o volume de vendas).

No nível tático, estão os principais projetos que a sua empresa está executando. Por exemplo, o lançamento de um novo produto, a implantação de um sistema ou otimização mais profunda de algum processo.

Na minha experiência, já vi muitas vezes as pessoas falando algo como “Levantamos algumas estratégias para aumentar nossas vendas”. Na grande maioria das situações, elas estão se referindo a táticas, não à estratégia.

Ao contrário da estratégia, no nível tático você pode tomar decisões que não necessariamente representem algum sacrifício. Nesse nível, é bastante normal acumular diversas frentes de ação focadas em atingir um determinado resultado.

Por último, temos o nível operacional, em que de fato os resultados são gerados.

O nível operacional acaba sendo muito tangível e está ligado à execução de processos internos e à entrega do produto/serviço ao cliente.

Enquanto o nível estratégico demanda um grau muito profundo de alinhamento, nos níveis táticos e operacionais a autonomia deve falar mais alto.

Infelizmente, um erro que muitos líderes cometem é prestar muita atenção a detalhes táticos e operacionais, enquanto a estratégia está sendo deixada de lado.

Quanto mais tempo você gasta no dia a dia, preocupado com detalhes, menor será sua visão sobre a empresa como um todo e também sobre as mudanças no mercado.

É lógico que quando a empresa é muito pequena, o empreendedor precisa fazer um pouco de tudo e olhar para todos os níveis. Porém, quando a equipe passa de cerca de 10 a 15 pessoas, o empreendedor direcionar uma parcela muito maior do seu tempo para o alinhamento estratégico e dar autonomia para que o time tome as decisões táticas e operacionais.

Fica então a reflexão, será que no seu dia a dia, você está sabendo calibrar o alinhamento com a autonomia do seu time?

Millor Machado assina a coluna Liderança e Produtividade, no Inova360 e R7, e tem um quadro com o mesmo nome no programa de TV Inova360, na Record News. É CEO e co-fundador do GPS de Gestão e possui uma extensa experiência como executivo e consultor, auxiliando líderes de diversos setores a atingirem melhores resultados.

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